8.1.08

A "democracia" à maneira liberal # 3, ou O que vale uma promessa eleitoral

"José Sócrates não vai propor referendo ao Tratado de Lisboa"

PÚBLICO, 08.01.2008

6 comentários:

Vida Involuntária disse...

Não havia uma antiga canção, salvo erro dos GNR, que dizia;
"Quero ve...eeer, Portugal na CEE"
Nesses tempos o Marocas clamava que não queriamos um "socialismo de miséria", mas sim aderir à "europa da prosperidade"...

Caíram muros, torres gémeas, petróleos a bom preço.
Tudo foi mudando. A Europa fez bem a este país onde se escarrava no chão, mijava nas esquinas, batia(?) nas mulheres, nos irmãos mais novos e se "atirava o pau ao gato", para já não falar das raspagens ao útero a sangue-frio, na parteira badalhoca da "Costa da Caparica".

Bem pouco me interessa, se há referendo ou não, pois a nossa insignificância enquanto país, já distribuiu o jogo.

O que eu garanto,porque conheço muitos, é que há centenas de milhar de portugueses que não identifica o mapa da Europa, nem sabe o que quer dizer "referendo".

À bientôt! (Esta é em honra da Simone de Beauvoir, que nasceu há cem anos - 9, Jan.1908)

I.

JMS disse...

Não é a existencia da UE que está em discussão, mas sim que modelo de UE queremos. Era isso que se devia perguntar aos europeus. Quando se decide sem recurso ao eleitorado (por apático e desinteressado que este possa parecer) não é uma democracia o que temos, é um despotismo de iluminados. Se eu confiasse na inteligência e honestidade dos políticos portugueses e bruxelenses, até podia dizer: "decidam lá vocês, que eu estou com uma dor de cabeça muito grande e não me apetece ir agora decifrar o tratado". Como não confio...

Cadáver Morto disse...

Então, referenda lá isto, pá

"No artigo 51.º, primeiro parágrafo, alínea a), terceiro travessão, a remissão para o
terceiro travessão do artigo 202.° é substituída por uma remissão para o n.° 2 do artigo
249.°-C e, na alínea b), a remissão para o artigo 11.°-A é substituída por uma remissão
para o n.° 1 do artigo 280.°-F. No segundo parágrafo, são suprimidos os termos "ou pelo
Banco Central Europeu";"

JMS disse...

Não te faças de engraçadinho, cadáver morto, ninguém pretende nem é necessário que se discuta alínea a alínea o tratado. E mesmo que fosse necessário, haveria por certo quem soubesse traduzir esse linguajar blindado para uma linguagem humana. A suposta dificuldade técnica das questões é apenas uma desculpa para dizer ao povinho: não mates a cabeça com isto, a gente decide e depois informa-te (ou não=.

Cadáver Morto disse...

Por outro lado a realização de um referendo é sempre um momento indicado para o esclarecimento das questões junto do povinho ignorante como se viu no referendo sobre a IVG.
Eu, por mim, fiquei muito esclarecido pelas partes em confronto...
Foi um debate sereno, elevado e esclarecedor.
Porque num referendo não vem ninguém dizer "Nós já estudamos isto e somos contra ou a favor" vocês não precisam de matar a cabeça com estas coisas.

Só tenho uma palavra para descrever esta histeria toda à volta do referendo: demagogia.

E folgo muito ao ver-te na companhia do Alberto João. Também ele quer um referendo. Acha que as massas populares se devem pronunciar. E olha que ele sabe do que fala. Não perde umas eleições vai para trinta anos.

JMS disse...

Inquirir o eleitorado acerca dos assuntos que lhe dizem respeito (independentemente de o eleitorado se estar ou não a marimbar para isso) não é uma questão de conveniência ou de oportunidade, é uma questão de princípio. De princípio