21.4.07

Mais do mesmo, portanto

Cinco semanas, foi quanto duraram os meus bons propósitos de loooooongas férias bloguísticas. Percebe-se que tão facilmente me canso das coisas como desse cansaço. Tomemos então isto como uma recaída, uma recidiva, que sabe-se lá quanto tempo irá durar.
A blogosfera, não há como negá-lo, é a melhor invenção desde o iogurte. E, tal como o iogurte, se não satisfaz, também não se dispensa. O que este meio de comunicação tem de mais fascinante é a sua genuína democraticidade, e a possibilidade de uma descentralização da opinião. Antigamente só falava publicamente quem tinha licença para tal; uma licença sempre outorgada por qualquer poder, e atribuída em função de duvidosos reconhecimentos de competências. A opinião, de uma forma ou de outra, era sempre controlada por quem a podia pagar. A blogosfera veio acabar com esse monopólio: aqui, tanto acerta ou disparata o Zé Toni como o Dr. Zé Tó, num exercício da mais pura liberdade de expressão. É possível que o resultado desta democratização da palavra se reduza a pouco mais do que uma proliferação caótica do disparate; mas porque haveria o cidadão comum de ter menos direito ao disparate do que o disparatador encartado? Se o Dr. Vasco Pacheco da Graça Pereira Valente pode proferir hebdomadárias parvoíces, por que não hei-de eu ter o mesmo direito? Se, ainda por cima, o faço de graça? Ninguém é mais do que ninguém, parece-me. A faculdade de julgar tanto pode resplender na mente de um aparelhador de pontes como de um pontífice do aparelho. A sensatez medra em todo o tipo de solos, já Descartes o dizia, e ninguém tem o direito de reivindicar, a priori, qualquer tipo de certificação para as suas sementes. Assim sendo, viva a blogosfera.

5 comentários:

João Luís Barreto Guimarães disse...

Excelente ideia, esse regresso.
Passarei também por aqui.
JLBG

Isabela disse...

Sim, é bem verdade.

Cadáver Morto disse...

Conhecendo-se a peça já se sabia que aquele não era o final.
Apesar de tudo fiquei preocupado.
Teria acontecido algo sério e terminal que colocasse em perigo a "picareta escrevente"?
Ó cruel fatalidade! Ó destino inclemente!
Mas não...
O rapaz só queria férias...
É justo. Já dizia Santo Agostinho "Quem trabalha merece férias". Férias tirou o escriba e está de regresso. Mudou de endereço, pois então. Não terá mudado de vida, pois claro. E ainda bem.
Nota-se no entanto um aumento da qualidade verborraica. Terá sido o acumular de cinco semanas cinco sem escrever?

Cocheiros contai: CINCO!

Ficou tudo amordaçado junto à epiglote e está a sair de jacto?
Ou estamos perante um caso de "upgrade" verbal?
Vamos acompanhar a evolução com atenção e sempre vigilantes.
Não deixaremos o escriba perder-se na auto-adulação da sua escrita.
Temos perante nós um possível nobelizado não o deixaremos cair na tentação da contemplação embevecida do seu próprio umbigo.
O Movimento Autónomo Inserido na Sociedade para a Vigilância e Acompanhamento da Literatura Independente de Aveiro (desde já constituído e a cuja comissão instaladora tenho a honra de presidir) estará sempre preparado para dar a necessária porrada se o escriba abusar.

JMS disse...

Meu caro cadáver, tanta flechada e tudo fora do alvo. Estás com péssima pontaria. Entre os muitos defeitos que mancham a minha prosa, não creio que a verborreia seja propriamente o mais notável, nem a auto-adulação, nem muito menos o umbiguismo. É verdade que me alonguei inusualmente no post sobre EPC, mas um texto que se quer minimamente argumentativo exige sempre uma certa extensão. Mas extensão não quer dizer vacuidade, que é o que me sugere o termo "verborreia".
Portanto, porrada sim, mas fazendo por acertar no alvo. Doutro modo, só cansas os braços.

Cadáver Morto disse...

verborreia: uso de uma quantidade excessiva de palavras e de enorme fluência, para dizer coisas de pouco conteúdo ou importância; verborragia (Houaiss)

Ou seja, podias ter dito em relação ao EPC uma coisa muito mais concisa, tipo: "Caguei". Mas não. Cedeste à tentação de te alongar demasiado.
Concedo no entanto que é um bom exercício, sim senhor. Os meus parabéns.

De qualquer forma nunca te acusei de umbiguismo ou auto-adulação. Jamais. Limitei-me a alertar para esse perigo. Nunca disse que tinhas caído nessas tentações. Ora lê lá com atenção, faxavor.